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Jovens Eleitores Quilombolas Impulsionam Participação Política e Defesa de Ideais

O engajamento de jovens eleitores quilombolas tem crescido significativamente, com o número de votantes identificados como quilombolas quase dobrando entre 2024 e 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. A participação é vista como crucial para a defesa de direitos e territórios.

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Jovens Eleitores Quilombolas Impulsionam Participação Política e Defesa de Ideais

O engajamento político de jovens em comunidades quilombolas tem se destacado, com um aumento expressivo no número de eleitores que se identificam como quilombolas. Este movimento reflete uma crescente conscientização sobre a importância do voto na defesa de direitos e na busca por políticas públicas.

Crescimento do Eleitorado Quilombola

Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira, indicam que o número de eleitores quilombolas praticamente dobrou entre as eleições de 2024 e 2026. Em 2024, foram registrados 95.409 eleitores, número que subiu para 188.371 em 2026. Em Goiás, estado onde reside a família de Joaquim Moreira e Thauany Silva, o eleitorado quilombola passou de 3.625 para 5.394.

A região Nordeste concentra a maior parte desse eleitorado, com 51.633 pessoas em 2024 e 95.901 em 2026, representando mais da metade do total nacional.

A Importância do Voto para a Comunidade

A participação nas urnas é vista como um ato fundamental para o futuro das comunidades. Joaquim Moreira, agricultor de 87 anos da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), planeja votar acompanhado de sua neta, Thauany Silva, de 16 anos, que terá sua primeira experiência eleitoral. Thauany, que completou 16 anos em abril, expressou a importância de seu voto para "cuidar do futuro de todos nós", argumenta.

Mayara Silva, de 36 anos, mãe de Thauany, enfatiza a necessidade de acompanhar as decisões políticas, pois elas impactam diretamente o cotidiano da comunidade. Franciele Silva, universitária de direito de 27 anos, nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), também destaca que "até o ar que a gente respira tem a ver com política", ressaltando a importância de lutar pelos direitos de sua comunidade.

Conscientização e Defesa Territorial

A professora Bia Nunes, pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), uma entidade que representa e articula as comunidades quilombolas no Brasil, avalia que o crescimento do eleitorado está ligado à maior visibilidade e conscientização política nos territórios. Ela explica que o engajamento ocorre a partir do entendimento do papel dos quilombolas como guardiões da natureza e da biodiversidade.

Rafael Costa, educador de alfabetização financeira de 32 anos da comunidade Mesquita, na Cidade Ocidental (GO), observa um aumento no interesse por temas de participação e representatividade política. Ele destaca que a informação e o estudo levam a uma maior compreensão da necessidade de políticas públicas e ajudam a comunidade a se defender de desinformação.

Desafios e Necessidade de Apoio Estatal

Bia Nunes defende a implementação de mais campanhas por parte do Estado brasileiro para incentivar a participação de eleitores e candidatos quilombolas. Ela aponta que, apesar do avanço, ainda existe um contexto de vulnerabilidade, com pressões e ameaças de violência. A pesquisadora mencionou ter sofrido uma ameaça contra sua vida em 2020, quando era candidata, e está em um programa de proteção.

A população quilombola tem buscado exigir dos governantes comprometimento com a proteção das pessoas e o avanço das titulações de seus territórios em todo o país, sendo o engajamento dos jovens um caminho essencial para essa luta.

Com informações da Agência Brasil.

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