Delegada deixa presídio no Rio e responderá a processo em liberdade
A delegada aposentada Adriana Belém deixou, nesta quarta-feira (19) à tarde, o Instituto Penal Santo Expedito, no Complexo de Gericinó, em Bangu, após decisão do juiz Bruno Monteiro Rulière, da 1ª Vara Criminal...
Adriana Belém foi presa no dia 10 de maio deste ano durante a Operação Calígula, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para reprimir ações de uma organização criminosa liderada pelo bicheiro Rogério Andrade e seu filho Gustavo, que operava com jogos de azar. O grupo também era integrado por dezenas de outros criminosos, incluindo o policial militar reformado Ronnie Lessa, denunciado como executor do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 março de 2018. Na Operação Calígula, foram apreendidos mais de R$ 1,78 milhão na casa da delegada, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
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“No caso, o afastamento definitivo da acusada da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e observada, em especial, a imputação que pesa em seu desfavor (um ato específico de corrupção), são circunstâncias que, quando reunidas, demonstram que o tempo de custódia provisória atingiu os fins acautelatórios almejados, sendo certo que, nesta oportunidade, a aplicação de outras medidas cautelares diversas da prisão revelam-se adequadas e suficientes para assegurar a proficuidade do provimento final de mérito”, disse o juiz.
Rulière aplicou ainda medidas cautelares para a liberação da delegada. Entre as, medidas, está a proibição de exercer qualquer função ou cargo público e de entrar em contato com os demais acusados e testemunhas do processo.
O juiz Marcello Rubioli já tinha revogado, em setembro, a prisão de Adriana no processo a que ela responde por lavagem de dinheiro. A soltura com cumprimento de medidas cautelares, no entanto, não ocorreu porque a prisão preventiva por corrupção passiva estava mantida.
No dia seguinte à prisão em maio, o Diário Oficial do Município do Rio, publicou a portaria de exoneração da delegada do cargo em comissão de assessor II da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio. De acordo com o portal da transparência do município, a delegada foi admitida em 13 de abril de 2021 depois de ser cedida pela Polícia Civil do estado. No mês anterior, Adriana tinha recebido o valor líquido de R$ 8.345,14.
Naquele momento, o advogado Ary Bergher, que defende Rogério Andrade, afirmou que a operação afronta decisão do STF. “Essa operação, além de não deixar demonstrada a necessidade de prisão cautelar do Rogério, reluz claramente uma afronta ao STF, que acaba de conceder o trancamento de uma ação penal contra ele. Isso vem ocorrendo desde juízes como De Sanctis, Marcelo Bretas e Sergio Moro, que tentam burlar as decisões do Supremo! Nesse caso, claramente há um material probatório requentado para impedir o trabalho técnico da defesa”, acrescento, em nota, o advogado.
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